sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Cheguei, mas meu coração não - Uma carta ao meu coração.

Quarta feira, dia 11/12/13, as 4 da manha, ele, os olhos verdes, me acorda com a voz tremula, arrumado, de mala pronta, me diz "Good bye, see you soon.", me abraça, me beija. Eu ambriagada de sono, não choro, não sinto nada, estou anestesiada. Digo que nos veremos de novo, o abraço, não quero que ele vá sem saber... sem saber que nos veremos de novo.  Entao o elevador abre as portas.

Volto pra cama, me dou conta de que não irei ve-lo tão cedo, e algumas lágrimas finalmente caem. E agora?
Fico triste, me sinto doente, não consigo dormir. Finalmente o cansaço me vence e então durmo.
Acordo naquele dia frio... Decido que preciso dizer até logo pra cidade. Decido que não seria um adeus. Decido que tenho que ficar bem.

Passeio sozinha por NYC, faço as ultimas tarefas, pego o metro, almoço sozinha, tento guardar todas as memórias. Ja me sinto tão em casa ali, ja me adaptei.

Volto para o apartamento bem antes da shuttle me pegar, quero descansar e não ter a sensação de que estou indo embora de vez.

Quando chego no aeroporto as lagrimas vem de um jeito incontrolável. Não consigo disfarçar, não consigo segurar. Não ha nada que me ajude a não ser deixá-las cair... Minhas pernas não querem obedecer os comandos de ir. Algo quer que eu fique... meu coração. Ele é teimoso e não quer sair dali jamais.

Eu tenho uma familia linda, amigos no Brasil que amo muito. Mas nos lá, aaah, eu me refiz, me recriei. Doeu, e aprendi... Lá o meu coração foi só meu, sem medo de ninguem, ele criou vida pois não tinha medo, ou melhor, medo até tinha, mas eramos eu e meu coração, tinhamos que ser fortes.
Fiz as amizades mas honestas, sinceras... As fiz de coração. Amei os amores mais complicados, e amei de coração. Cuidei dos meus pequenos com amor, mais de irmã do que de mãe, mas amei de coração.
Ah, esse tal de coração, criou vida, não?

E agora, cheguei, desci do avião. Peguei as malas, empurrei o carrinho. Dei aquele abraço de saudade acumulada. Me senti partida.
Cade ele? Onde voce foi coração? Por que não me acompanhou? Agora estou aqui, fisicamente e voce, voce está lá... e acho que lá vai ficar. Lá na California, e uma parte em NY.

Lembre-se de mim, coração. Venha me visitar um dia. Saiba que eu estou aqui, e que estou feliz por tudo, que me sinto muito bem, que me sinto realizada. Saiba que não foi um sonho e que voce pode voltar. Saiba que os de lá sabem e sempre saberão que voce os ama. Eu já deixei bem claro.
Venha pois temos muitas coisas pra fazermos juntos. Não tenha medo coração... Aqui estão seus velhos amigos.
Venha e saiba que muitos dos seus desejos já foram realizados. Venha, que muitos desafios te esperam.

666 dias... Talvez seja sorte?

Seja bem vinda novamente, Carol

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Os cafés de quinta-feira

Eles começaram com o pé esquerdo, meio estranho, sem jeito. Começaram em uma noite de inverno, com um ingles tímido. Criar assunto com um ser de outra cultura, num país que não pertence a nenhum dos dois, numa língua que não é "minha" nem "dela", e depois de te-la conhecido através algumas palavras na aula de ingles, não foi fácil. Mas acho que e persistencia valeu a pena.

Ela, de um país do oriente médio, o qual eu não conhecia praticamente nada, de uma cultura que parecia não ter nada a ver com a minha, com um temperamento forte, com os olhos que lembram os da minha mãe e com um estilo todo diferente, que eu vim a descobrir que ela é extrovertida, que não pode comer glutem, que parece mais braisleira do que Israelense, que fala a verdade (mesmo que doa), veio a se tornar uma das minhas melhores amigas.

Eu, tímida, inocente, do Brasil, falante, alegre, bobona, toda familia, roupas sem graça, personalidade alegre, vim a me tornar uma de suas melhores amigas.

Não sei como isso aconteceu, mas ela foi uma das melhores coisas que me aconteceram aqui. Aquele jeito estourado, as vezes nervoso, as vezes uma paciencia de uma mãe, as vezes meu colo, as vezes meu inferno! Ela aprendeu Portugues atraves de una novela brasileira e entrou assim meio sem jeito, timida, ficou por ai, e depois acabou se tornando meu apoio.

Ai que saudade que me da. Nunca tive uma irmã (isso é uma historia complicada) e ela veio a se tornar minha irmã mesmo, sabe? Que voces brigam, mas que viram mães uma da outra, que não se veem por um tempo, que não se desgrudam. Ela veio no momento certo e com a personalidade certa. Sinto sua falta todos os dias. Sinto falta dos cafés de quinta a noite, sinto falta das conversas sem pressa de domingo, sinto falta das suas botas estranhas e do seu jeito. Quero meu café sem açucar!

E assim, como sempre, os cafés de quinta já não existem mais. As conversas dominicais tambem não.
E agora um fuso horario de mais de 9 horas nos separa e impede até as coisas mais simples.

Aahh, mas essa amizade eu quero levar pra vida toda!

Amiga, te amo! Beijo, cabeça!






quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um pouco de boa vontade

Hoje decidi confiar no destino, ou posso dizer tambem Deus, mas nesse caso prefiro chamar de destino.

Sabe alguns poucos gestos que te dao um energia e mudam totalmente seu dia? Sabe aquelas coisas bobas, que te fazem sorrir, danca, sonhar...

Uma coisa tão simples. Te da uma paz...

Tenho tantos posts atrasados pra postar aqui... Mas sendo assim, nessa vibe boa, e bem pertinho de eu ir embora, talvez eu me anime (ou não).

Sim, com um pouco de boa vontade eu posto coisas legais pra voces!

Um pouco de boa vontade que voce trouxe pra mim. ^^

terça-feira, 8 de outubro de 2013

600 dias

Eu ainda tenho guaradado em mim os mesmos sentimentos daquele primeiro dia frio. O gosto salgado das lagrimas, os olhos inchados e o coração apertado. Tenho comigo a saudade... E ela me persegue desde entao.

Eu tenho comigo memórias, histórias, momentos e lembranças que eu não quero esquecer nunca. E tenho tantas outras memórias que eu gostaria de esquecer.

Primeiro foi o frio, o cansaço, o não saber ligar o chuveiro, a língua, a tristeza e a alegria, o novo, o começo, o deslumbramento, as amizades, as compras, o "sonho realizado", a primeira vez am NY, o frio e o frio de novo, mais uma despedida, o medo, o "não sei o que estou fazendo aqui", o arrependimento, a força de vontade, meus primeiros próprios passos.

Então a primeira vez em San Francisco, as primeiras sextas sozinha, a amizade que dura até agora, Alcatraz, as descobertas, as primeiras aulas de ingles aqui, o orgulho, e os dias que escureciam cedo demais... Então veio a primavera, o primeiro curso na universidade, a primeira amiga estrangeira, os primeiros passeios, muitos gastos, mais amizades, muito mais de San Francisco, a neve pela primeira vez, 21 anos, o primeiro grande porre, uma amiga pra todas as horas, uma grande decepção, muitas lágrimas, muitas noites em claro, muitas conversas no skype, muitas nights out com as amigas, muitos outros amigos, então os olhos verdes, o coração batendo de novo, o primeiro tão famoso verão da California, a minha visita ao Brasil, primeira vez em Las Vegas, os arrepios ao ver o Grand Canyon, a primeira pool party, a descontração, os olhos verdes de novo, felicidade, homesick, aqueles abraços que confortam, os olhos verdes e o meu super sorriso, a balada gay em San Francisco, o carinho, e o coração batendo de novo (de novo), skydiving, coragem, mais saudade e homesick.

Então chega o outono, a melhor estação, as folhas mudando, o ar mais “crispy”, os dias frescos, as noites frias, o Halloween, a homesick de novo, os dias escurecendo, os finais de semana de preguiça, o "late summer" de San Francisco, os olhos verdes, o Thanksgiving, os olhos verdes, cada vez mais frio, os olhos verdes...

Então o Natal longe de casa, a manhã de Natal tão linda, a noite de Ano Novo no frio, os primeiros segundos de 2013 foram sensacionais, o agradecimento por tudo, um outro ano, uma nova fase, as dúvidas, a saudade, a ansiedade, os finais de semana em casa, a solidão, a indecisão, o Hawaii, as melhores férias, uma recarga de energia, muitas decepções, homesick, um novo bebe, uma nova casa, uma outra cidade, outra rotina, medo de novo, a primeira despedida de uma amiga.

E mais uma primavera, os olhos verdes, minha mãe, minha avó, NY, Washington DC, férias, elas, Califórnia, saudade, pressão, ansiedade, uma despedida dolorida (dizer tchau pela segunda vez dói mais ainda), 22 anos, viagens, viagens, viagens, amigos, os olhos verdes, a notícia, a tristeza... uma outra "quase" despedida, verão, calor, lago, sol, amigos, os olhos verdes, o primeiro good bye, a tristeza, Napa, o segundo good bye, o choro guardado, os olhos verdes em NY e eu aqui, homesick, amigas, amigas e amigas,

E mais um verão, San Diego, férias, Yellowstone, Salt Lake City, Vegas baby, Disneyland, LA, o primo em Hollywood, casa, saudade, o carinha que me emprestou um casaco na estação de trem, a aceitação, nova rotina, a saudade, a segunda dolorosa despedida,"tchau" pra uma das melhores amigas, a frustração, força de vontade, amigos, e de repente ele, meus sentimentos, a contagem regressiva, a indecisão, a decisão, a prática, ele...

Seiscentas histórias, seiscentos amigos, seiscentos sentimentos, seiscentos recomeços, seiscentos sonhos...
600 dias, que parecem 10 anos. 10 anos que começaram... ontem.